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A Mata de Santa Genebra é o maior remanescente de Mata Atlântica do município de Campinas, e a segunda maior floresta urbana do Brasil, ficando atrás apenas da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Possui uma área de 251,77ha, altitude média de 670m e temperatura média anual de 20,6ºC. É definida como uma floresta semidecídua (plantas que perdem parcialmente suas folhas na estação seca) e foi declarada ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico) pelo Governo Federal em 1985.

Vegetação
A vegetação da Mata de Santa Genebra é formada por 15% de mata de brejo ou floresta higrófila, e 85% de floresta semidecídua. No passado extraiu-se madeira nobre do interior da floresta, ocasionando a abertura de clareiras em diferentes épocas. Com idades bastante diferenciadas, algumas destas clareiras já se encontram cicatrizadas, apresentando vegetação arbórea secundária. Entretanto, outras mais recentes e maiores apresentam enorme cobertura de lianas (trepadeiras), que procuram a luminosidade e se espalham pelas copas das árvores, às vezes tão densamente que chegam a levar a árvore à morte.

De uma maneira geral, as árvores são bastante altas, com indivíduos de espécies como o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), a peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron) e o jatobá (Hymenaea courbaril) que chegam a alcançar mais de 25 metros de altura. Em seguida, há um estrato arbóreo de 15 a 18 metros de altura, composto por diversas espécies como o jequitibá-branco (Cariniana estrellensis), o cedro-rosa (Cedrela fissilis), o pau-marfim (Balfourodendron riedellianum) e as figueiras (Ficus ennormis, Ficus glabra, Ficus guaranítica). Abaixo deste estrato arbóreo superior há um estrato arbóreo mais baixo, bastante denso, com árvores de porte variando entre 5 e 12 metros de altura. Neste estrato, há um predomínio de 5 famílias bem características: Meliaceae, Rutaceae, Rubiaceae, Euphorbiaceae e Myrtaceae. Abaixo deste estrato, ainda há um estrato herbáceo-arbustivo razoavelmente denso.


Nas áreas mais preservadas e nas copas de grandes árvores ainda é possível encontrar algumas espécies de epífitas, como as orquídeas e as bromélias. Além das epífitas, algumas espécies parasitas de partes aéreas também podem ser vistas.
Nas áreas de floresta higrófila ou floresta de brejo, a vegetação é bem diferente da floresta semidecídua. É uma vegetação característica de locais com alta umidade, o que limita a quantidade de espécies e faz com que a diversidade seja mais baixa. Seus indivíduos têm um porte menor, com 10 a 12 metros de altura, e concentram-se em alta densidade. Muitas destas espécies apresentam adaptações às condições de umidade, como raízes adventícias e lenticelas no caule.
Há poucos indivíduos herbáceos, e algumas palmeiras formando o sub-bosque.

A reprodução da vegetação é dependente de fatores como a polinização através de insetos (borboletas, mariposas, besouros, abelhas, moscas, entre outros), aves e morcegos, além da polinização pelo vento. A dispersão de sementes também depende de insetos, aves e mamíferos frugívoros. Quando são dispersos por animais, os frutos são chamados zoocóricos. Quando dispersos através do vento, são anemocóricos. Algumas plantas apresentam frutos autocóricos, que não necessitam de auxílio, podendo ser lançados para longe da planta-mãe pela abertura explosiva das cápsulas ou por gravidade.




Lista de espécies de vegetação da Mata de Santa Genebra
FAUNA
A Mata de Santa Genebra abriga uma fauna bastante rica, apesar de estudos recentes indicarem o desaparecimento de algumas espécies de animais que eram comumente encontrados no passado, como a paca e a cutia. Várias espécies de vertebrados habitam a reserva, como o macaco-prego, o bugio e o esquilo, além de diversas aves. As aves são estudadas na reserva desde 1975, muito antes de sua criação. As mais avistadas são o tiê-do-mato-grosso (Habia rubica), a rendeira (Manacus manacus) e o tangará (Chiroxiphia caudata), porém já foram catalogadas mais de 150 espécies de aves.


O macaco-prego e o bugio são amplamente conhecidos e estudados. Muito se sabe sobre sua dieta e hábitos de vida. São importantes dispersores de sementes. O bugio (Alouatta fusca) está presente na Mata em alta densidade, e se alimenta de folhas e frutos. Por preferirem as folhas jovens, são quase sempre vistos dependurados nas pontas dos galhos, utilizando a cauda como apoio.

Os macacos-prego (Cebus apella) são muito inteligentes e avistados com maior freqüência que os bugios. Sua densidade é menor, mas são extremamente ágeis e curiosos. Alimentam-se de frutos, e nas épocas de seca, de algumas sementes e frutos secos. Muitas vezes são vistos nas plantações de milho ao redor do perímetro da Mata, colhendo numerosas espigas.


Também entre os mamíferos presentes na reserva, podemos citar os marsupiais, como o gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), o gambá-de-orelha-preta (Didelphis marsupialis), a cuíca lanosa (Caluromys philander), a cuíca de cauda grossa (Lutreolina crassicaudata) e a marmosinha ou catita (Gracilinanus microtarsus).
Outros animais de pequeno e médio porte encontrados na Santa Genebra são o tatu-galinha (Dasypus novencintus), o tapiti (Sylvilagus brasiliensis), o caxinguelê (Sciurus ingrami), o ouriço-cacheiro (Coendou villosus), o ratão-do-banhado (Myocastor coypus), a capivara (Hydrochaeris hydrochaeris), o preá (Cavea aperea) e o teiú (Tupinambis merianae), além de outros pequenos roedores, de biologia pouco conhecida.
Morcegos também são encontrados em grande número na Mata de Santa Genebra, tendo sido registradas mais de 10 espécies.

Também encontramos quatro espécies de predadores na reserva: o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), o gato-mourisco (Felis yagouaroundi), o mão-pelada (Procyon cancrivorous) e o furão (Galictis cuja).


Além dos mamíferos, as cobras também são abundantes na Mata de Santa Genebra. 21 espécies já foram registradas, entre espécies florestais e de áreas mais abertas. As mais avistadas são a jararaca (Bothrops jararaca) e a dormideira (Dipsas indica). A jararaca é uma cobra muito perigosa para o homem por ser venenosa e de hábito noturno. Durante o dia fica em repouso, camuflada na vegetação rasteira ou no solo, situação que propicia acidentes com pessoas que estejam trabalhando ou passando por perto. Já a dormideira (Dipsas indica) é uma cobra inofensiva para o homem, mas apresenta semelhança superficial com a jararaca, pois mimetiza o seu padrão de coloração.


Existem na Mata de Santa Genebra inúmeras espécies de artrópodes. As mais estudadas são as borboletas e mariposas. Desde a década de 70 são feitas observações de borboletas, e já foram registradas mais de 700 espécies desde então. Para o seu estudo, a Fundação José Pedro de Oliveira mantém um Borboletário.
Também são vistos freqüentemente vespas, abelhas, moscas, besouros, e principalmente formigas. As formigas cortadeiras são muito freqüentes em ambientes desequilibrados. As bordas da reserva sofrem com os impactos de vento, alta luminosidade e calor. Durante o manejo, através de limpeza e reflorestamento, estas áreas passam por um período de desequilíbrio, e as formigas cortadeiras invadem os plantios, dificultando o restabelecimento destas bordas.
Além dos insetos, também podemos observar aranhas e escorpiões, lacraias e centopéias.

Lista de espécies da fauna da Mata de Santa Genebra
Clima
O clima da Mata de Santa Genebra, bem como no restante do interior do estado de São Paulo, é um clima sazonal, que apresenta duas estações bem definidas: uma quente e úmida (verão, de outubro a março) e outra seca e fria (inverno, de abril a setembro). Esta alta variabilidade no clima influencia o comportamento reprodutivo e de crescimento das plantas e conseqüentemente dos animais que delas se alimentam. A floresta tem a sua fisionomia alterada na estação da seca, apresentando um aspecto ressequido. Já na estação mais úmida, apresenta um aspecto mais verde e florido, sendo esta a época de maior oferta de recursos alimentares aos animais.
Recursos Hídricos
Dentro da Mata de Santa Genebra há poucos locais com afloramento de água, mas há pelo menos duas nascentes. Uma delas deságua no córrego da Lagoa, que é um dos formadores do Ribeirão Quilombo. A água da outra nascente dirige-se para o Rio das Pedras, formador da Bacia do Anhumas. Nos Fragmentos C e D existem inúmeras nascentes, todas contribuintes do Córrego da Lagoa.
Trilhas
Existem na reserva duas trilhas principais, freqüentemente utilizadas pelos pesquisadores em seus estudos. A Trilha Central corta a mata do sentido leste-oeste, e tem 1,2 km de extensão. A Trilha Baroni tem 2,8 km de extensão, e corta a mata no sentido norte-sul. Além destas duas trilhas, há outras, menos utilizadas, que são abertas por pesquisadores ou funcionários da Fundação para reconhecimento e manejo de áreas de difícil alcance.
Para fins de educação ambiental há a Trilha Leste, uma trilha interpretativa, localizada do lado de fora do aceiro, com vários elementos em comum com o interior da Mata de Santa Genebra.

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